Pensa em um jogo que te abraça, que te faz sorrir sem parar: é esse. Normalmente, Zelda busca provocar aquele “WOW”, aquele senso de aventura épica meio à histórias complexas. Mas aqui não. Link’s Awakening é contido, íntimo, com personagens simples e caricatos que, dentro do seu próprio escopo, funcionam com uma maestria enxuta do jeitinho que eu gosto.Para mim, é a melhor porta de entrada para os Zeldas 2D pra quem nunca jogou nada do gênero, inclusive em termos de lore. A Ilha quase não existe; é um verdadeiro sandbox para o jogador aprender os arquétipos da série, de forma enxuta e bem articulada. Nada de trade quests prolixas ou idas e vindas exageradas. É surpreendentemente uma experiência 'streamlined' para os padrões da franquia, mas sem perder aquela linguicinha que faz Zelda ser Zelda.Tematicamente, o jogo toca em tudo que mais amo: sonhos, realidade x ilusão, o vale da estranheza do que não é confiável à primeira visão superficial. Isso se reflete na narrativa, nos puzzles e, principalmente, na trilha sonora, que chega a ser melancólica, dissonante, criando uma experiência agridoce. A estética de diorama, tão criticada por alguns, pra mim é perfeita. Tem gente que diz que infantiliza o estilo original (kkkkkkk), mas pra mim ela reforça essa sensação de irrealidade. É irônico até: o jogo parece mais verdadeiro justamente por parecer tão falso.Não vou entrar em muitos detalhes da história, mas já adianto que a plotline da Marin e aquele lance de ganso é algo que surpreendentemente me trouxeram lágrimas, as novas conversas com a Marin na beira do mar são lindas, eu acho a conexão entre o Link e a Marin de quebrar o coração pois ao desenrolar da história você sabe que ela é apenas um sonho, e de certa forma, você também é apenas um paradoxal sonho dentro da sua própria irrealidade, há uma certa beleza no desejo de existir em meio a completa inexistência, e quando a Marin tem seu desejo realizado no final verdadeiro, é simplesmente lindo.Acho que meu único problema real do jogo é o fato da movimentação ser em grid, é um ponto bem pernicioso que incomoda e me faz sentir limitado e preso numa experiencia de jogo que deveria me dar liberdade de ir e vir. Mas de resto é uma experiência de Zelda 2D que só não é 101% perfeita por esse fator, e por não ser tão grande quanto eu esperava, a longevidade de fazer 100% do jogo vem de coletáveis bem xôxos e chatos de achar, assim somando com aquele meu problema de se movimentar em grid pelo mapa, restringido à apenas 8 direções...No fim, é um jogo extremamente redondo e polido, uma experiência extremamente agradável e graciosa para um fã do jogo original, gostaria muito que a Nintendo tivesse as bolas de fazer os jogos Oracle nesse estilo, vai saber né.9/10
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