No More Heroes
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No More Heroes

Exibindo todas as 1 avaliações escritas pela comunidade.
mitinho
mitinho 15/06/2026
5/5
Esse jogo é genial. Um jogo do Suda51. Esse SIM é um jogo que desconstrói o conceito intrínseco de vídeo games INTEIRAMENTE. Ser Gamer, ser Jogador, Somos uma cultura obcecada por rankings. Nenhum jogo é um jogo de verdade se ele não tem notas altas e avaliações positivas no Metacritic para punhetar o ego de certos virjolas por aí, para que todos possamos ver qual é o melhor jogo. No More Heroes de Suda 51 leva a obsessão de ser o número um no mundo do assassinato, apresentando um mundo onde a misteriosa Associação dos Assassinos Unidos criou um sistema de classificação para assassinos no qual se pode subir na hierarquia matando aqueles acima dele. Para Travis Touchdown, a conquista de ser o assassino número um é o suficiente. "Eu só quero ser o número um... Curto e simples o suficiente para você?" ele pergunta ao jogador na introdução. Este é o primeiro passo de um caminho sangrento que compõe a história do jogo, que aponta sombriamente ao final que os rankings não significam nada. A batalha de Travis não serviu para nada. É uma mensagem niilista que se esconde sob a pressão constante do jogo para subir no ranking e ser o “melhor”. No final do jogo, o enredo em si se recusa a fornecer qualquer tipo de conclusão real, já que Travis procura apenas sair do enredo, dizendo: “Você quer que eu amarre todas essas pontas soltas [no enredo]? Acho que não".Há um indício dessa falta de sentido logo na primeira luta, quando Travis reclama: “não estou sentindo a sensação de vitória que eu deveria…”, o que, por sua vez, leva à promessa (mas não garantia) de que se ele atinge o número um, Sylvia pode bater uminha pra ele. A motivação para correr para o primeiro lugar (o desejo de ser “o melhor”) muda quando Travis percebe que a derrota do ex-10º assassino não é tão satisfatória quanto ele esperava. Além da promessa de sexo, a única outra motivação que ele tem é que subir os rankings paga a conta de luz, mas quando uma dessas contas é a taxa para marcar a próxima luta, tudo parece um pouco autodestrutivo. Isso também está deixando de lado o número de trabalhos legítimos e legais que podem pagar as contas de um jeito menos… sangrento- e em muitos casos os trabalhos de assassinato pagam menos do que algumas dessas tarefas mais civilizadas- A conquista é vazia, sem propósito, ser o “Número 1” é simplesmente um void estoico. Até a cidade parece vazia.Para que ser a porra de um assassino em uma cidade tão morta quanto Santa Destroy. Do ponto de vista de um jogo, você pode fazer as missões de assassinato para melhorar a aptidão no combate do jogo, que não é lá grandes coisas. Mas pra que melhorar a aptidão no combate? Para ser o melhor no jogo, é claro, para ser o notório "NÚMERO 1”. Como se isso não bastasse, o jogo astutamente informa o jogador sobre a inutilidade e futilidade banal de suas ações, fazendo com que o movimento para recarregar a beam katana do Travis seja literalmente punhetar o Wii Remote…- outro ato que não alcança nada além de uma breve satisfação e uma sujeira grudenta que precisa ser limpa depois.Sério, você bate uminha pra carregar a espada. Sem comentários.A satisfação de Travis com suas vitórias também parece de curta duração, e enquanto na luta número nove ele exclama que “nada é mais gratificante” do que lutar contra os assassinos, ele nem fica para comemorar depois que a luta termina, ele só vaza como se tivesse batido uma punheta efêmera matinal de uma quarta-feira a tarde. Não só isso, mas seus arredores são tão efêmeros quanto a punhetinha do Wii Remote, depois de cada luta, você pode comprar umas fitas aleatórias de luta livre e umas camisas. Isso comprova mais ainda que a luta para ser o “número 1” só gera nada mais, nada menos que materialismo superficial, uma alteração superficial que na verdade não significa nada no jogo.Travis não é o único que não tem ideia de por que as lutas estão acontecendo - vários dos próprios assassinos questionam por que há a necessidade de matar uns aos outros em primeiro lugar. Destroyman aponta que "é absolutamente sem sentido" até que Travis insiste que "é sobre determinar quem é o melhor". A luta com Holly Summers é ainda mais interessante, pois Travis a repreende por tentar encontrar sentido na matança- um sinal de que, embora Travis possa de fato alegar que a luta é para provar seu valor, não há valor real no ato. Não tem sentido, e ainda assim Travis continua a matar - embora significativamente ele tente poupar a vida de Holly quase em princípio, embora ela o insulte em sua misericórdia, chamando-o de um zé ninguém. Para Holly, o único significado para um assassino é sua morte inevitável nas mãos de outro assassino, e ser não morrer é um ato de desonra. A luta contra a Bad girl é um ótimo exemplo de como fazer você se sentir mal por jogar um vídeo game:É o clímax do jogo que hilariamente joga toda essa batalha pelo para ser o “número 1” no lixo. A Associação dos Assassinos Unidos é tão vazia que nem sequer existe; foi tudo uma trollada criada pela Sylvia para financiar as baladas caras dela na noite. O dinheiro que Travis pagou pelo direito de lutar provavelmente foi usado para muito mais do que organizar as lutas, sem meme, foi um esquema de lavagem de dinheiro tão fodido quanto a lava-jato, e nunca havia nada a ganhar além de um título imaginário de NÚMERO 1. Travis reclama: “Você sabe quantas pessoas eu matei?”, destacando o horror de ver todas as suas batalhas sem sentido. Quem se importa com o ranking se o ranking não for legítimo? É claro que há uma piscadela maliciosa para o jogador com a frase “Qual é o ponto? Isso tudo é uma farsa de faz-de-conta”. Qual é o sentido de jogar o jogo, No More Heroes pergunta, se isso não significa nada? É só um jogo, seu virgem, vai pra fora viver, seu lixo.Travis continua a luta, claro, porque não há mais nada para ele fazer e afinal “um bom homem termina o que começou”. A única coisa que mantém Travis vivo é continuar fingindo que os rankings ainda importam – evidenciado por sua declaração ao Dark Star de que “A única coisa que importa aqui é quem é o melhor”. Acontece que, no entanto, os rankings são rapidamente esquecidos com a aparição repentina de Jeane, que é capaz de dar sentido a um jogo que simplesmente não havia motivo pra existir. De repente, com a adição de um “plot twist” rapidamente dramatizada, o jogo era sobre uma busca por vingança, apesar do fato de que nem mesmo Travis sabia que Jeane apareceria no final. Esse dispositivo de enredo adicionado e sem sentido é uma tentativa de atribuir significado retroativamente a ações sem sentido, e o puro absurdo do significado atribuído deixa claro que foi realmente apenas coincidência que uniu os dois (o que transforma um momento que deveria ser épico e surpreendente numa grande, grande comédia). Travis é rápido em abraçar essa nova motivação, exclamando “Agora entendi! Todas essas lutas, foi por isso!” com um entusiasmo nascido da necessidade de que seja verdade. A aparição de Jeane prepara o cenário para o repentino ressurgimento pós-chefe de Henry e a revelação de que ele é irmão gêmeo de Travis (até Henry aponta que tanto Travis quanto o jogador deveriam ter esperado “algum tipo de reviravolta do destino” ponto no jogo, pois faz tanto sentido quando todo o resto o resto do jogo é uma patifaria total).No final das contas, a única conclusão narrativa do jogo para Travis é uma conclusão para a perda dos seus pais, bem como – supõe-se – o relacionamento com seu amor/meia-irmã perdido e isso só acontece por puro acaso. O jogo joga sua própria falta de sentido de volta no rosto do jogador, recusando-se até mesmo a terminar a narrativa propriamente dita. Travis decide que prefere continuar fugindo da responsabilidade de amarrar todas as pontas soltas da trama tendo um confronto com Henry, e o jogo para abruptamente quando os dois se enfrentam, e levanta um questionamento, porque lutar é realmente a única coisa que Travis sabe fazer neste momento, e se ele não consegue arrumar a zona que é esse plot, ele pod
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